Livros: 1984 O Grande Irmão (Big Brother)

Filme 1984 Big Brother

Livro icônico e que antecipou um mundo cercado pela vigilância. É assim que se pode começar descrevendo uma das obras primas da literatura universal “1984”, de George Orwell. Um livro que denuncia todas as arbitrariedades dos regimes totalitaristas, é também um dos mais influentes romances do século XX. Leitura obrigatória para quem quer entender melhor sobre o mundo em que vivemos hoje.

Escrito pelo jornalista e ensaísta George Orwell – pseudônimo de Arthur Blair, o livro foi publicado em 1949 (embora tenha sido escrito um ano antes e por essa razão o título), e foi traduzido em mais de 65 países. Inspirou filmes, virou minisséries, mangás e até ópera. No entanto, tornou-se profundamente icônico por conta de uma de suas frases ter inspirado um dos programas sensacionalistas de grande audiência nos últimos anos – The big Brother – ou em tradução literal, “O Grande Irmão”, que tudo sabe, tudo olha e tudo vê.

O livro nasce de uma distopia – se passa em Londres, na fictícia Oceânia, gira em torno do Grande Irmão. Big Brother é o líder máximo. Assumiu o poder depois de uma guerra de escala global que é totalmente análoga à Segunda Guerra, porém com mais explosões atômicas; eliminou as nações e criou três grandes estados transcontinentais totalitários. A Oceânia reúne a ex-Inglaterra, as ex-Américas, ex-Austrália e Nova Zelândia e parte da África. É um mundo sombrio e opressivo. Cartazes espalhados pelas ruas mostram a figura bisonha da autoridade suprema e o slogan: “O Grande Irmão está de olho em você”. E está mesmo, literalmente, graças às “teletelas”. Espalhadas nos lugares públicos e nos recantos mais íntimos dos lares, elas são uma espécie de televisor capaz de monitorar, gravar e espionar a população, como um espelho duplo. Tudo muito opressor, escuro e devasso.

Winston Smith é o protagonista da obra. Funcionário público, do Departamento de Documentação do Ministério da Verdade, um dos quatro ministérios que governam Oceânia, tem como ocupação falsificar registros históricos, a fim de moldar o passado à luz dos interesses do presente tirânico. O livro é opressão mental o tempo todo. A Polícia das Ideias atuava como uma ferrenha patrulha do pensamento. Relações amorosas estavam entre as muitas proibições.

Neste ambiente de submissão onde não há mais leis, mas sim inúmeras regras determinadas pelo Partido, ninguém nunca viu o Grande Irmão em pessoa. Uma sacada genial do autor: o tirano mais amedrontador é também aquele mais abstrato. Winston detesta o sistema, mas tenta, à medida do possível, encaixar – se nela para sobreviver. Ele conhece a jovem Júlia, e com ela terá um romance transgressor. Ambos acreditam que poderão se libertar do grande irmão, até que são presos, torturados e obrigados a voltar a pensar de acordo com os desígnios do Grande Irmão, se quiserem sobreviver.