Resumo do Livro: A Cidade e as Serras

A Cidade e as Serras

“A cidade e as serras”, é a última obra publicada por Eça de Queirós, autor de renomada importância para a literatura portuguesa. Curiosamente, nesta obra, Eça deixa de lado sua preocupação realista em analisar a sociedade, em suas raízes. Eça acreditava que o determinismo fosse algo punjante e, por meio de alguns de seus traços, via o atraso de Portugal como conseqüência de alguns fatores, tais como a forte presença da Igreja, a educação romântica data às mulheres  e a própria elite burguesa de Portugal. Em “A cidade e as serras”, o autor concilia-se com algumas esferas e abandona alguns de seus traços de análise. No entanto, é uma das obras consideradas mais maduras do autor e largamente pedida em exames vestibulares.

 

A narrativa se inicia com José Fernandes revelando suas intenções narrativas ao leitor, por meio da tese de que a vida no campo  é superior à vida urbana. Para comprová-la, relata a trajetória de seu amigo, Jacinto. Herdeiro de grande fortuna obtida através da exploração de propriedades agrícolas de Portugal, Jacinto nasceu em Paris e adorava a cidade. Segundo ele, a capital francesa era o exemplo perfeito de civilização, o único espaço em que o ser humano poderia ser plenamente feliz. Chegou a criar uma fórmula, que mostrava que a “Suma Ciência” (tecnologia e erudição) multiplicada a “Suma Potência” (capacidade humana), conduzia à “Suma Felicidade”.

 

Jacinto e Zé Fernandes se conheceram na Universidade em Paris. Zé Fernandes precisou retornar a Portugal por motivos familiares e não se viram por um longo tempo. Zé se dedicou à administração da propriedade rural de sua família em Guiães, nas serras portuguesas, por sete anos. Querendo descansar, parte até Paris para ver o amigo. Encontrou-o entristecido e corcunda, muito distante da vivacidade da juventude. Seu estado de espírito causava espanto, porque Jacinto tinha transformado seu palacete, no número 202 da Avenida dos Campos Elísios, em local de repleta juventude, inclusive por possuir um grande maquinário tecnológico para a época.

 

Jacinto estava infeliz, descobrira que suas amizades eram falsas, a tecnologia que o cercava não o deixava feliz, e até os livros causavam-lhe aborrecimento. Suas terras em Tormes serão desapropriadas e ele recebe um aviso; os amigos partem então para  Guiães. Jacinto fica surpreso com a rusticidade e atraso de Tormes. A natureza o encanta e ele decide reformar a propriedade. Apaixona-se pela prima Joaninha de seu amigo. Instá-la se definitivamente na serra. Aceita apenas a instalação de um telefone. Encontra a felicidade longe dos centros urbanos de Paris.